Transformando a Cruz de Ferro

Amigos, sei que o blog está parado, que prometo postar e não faço, mas isso se deve a uma certa falta de tempo para buscar informações sobre o Caminho e principalmente um adiamento nos planos de trilhar a rota rumo à Santiago.
Minha ideia de fazer este ano não se concretizará, então vou deixar que as coisas aconteçam como devem acontecer e não colocarei mais data, simplesmente irei me informando cada vez mais e me preparando para o momento que acontecer. Sigo minhas caminhadas, minhas trilhas e minhas buscas. Como todos dizem, “meu Caminho já começou”!!!

Bom, seguindo essa ideia de estar sempre envolvido com o Caminho, sem deixar o sonho morrer, estou em um grupo de discussão onde um integrante, que neste momento que escrevo está lá no Caminho Francês, levantou uma questão à respeito da Cruz de Ferro, da energia depositada naquele local.
Confesso que já havia pensado à respeito do assunto, mas pensei apenas comigo mesmo.

Para os que não sabem, existe um “ritual” – listei ele aqui no post Rituais pelo Caminho – onde o peregrino leva uma pedra de sua cidade/país para depositar ao pé da Cruz de Ferro, essa pedra irá simbolizar todos seus problemas que ficarão para trás.
E é aqui que entrou a questão que o peregrino do grupo levantou em uma conversa, juntamente com o Acácio, que é proprietário do albergue Refugio Acacio & Orietta que fica em Viloria de Rioja/Burgos.
A questão da energia do local, a energia que é depositada na Cruz de Ferro. Deixar somente coisas ruins, problemas e sentimentos pesados, não deve fazer tão bem para aquele lugar tão lindo e significativo, assim como já li que diversos locais do Caminho possuem suas energias, boas ou ruins, de luz ou de escuridão, ali está se tornando um local pesado segundo eles.

O que eu havia pensado, e pelo que percebi foi exatamente o que eles conversaram, é sobre deixar também coisas boas na Cruz de Ferro, deixar uma oração para quem acredita no poder de uma oração, deixar um pensamento positivo, uma mensagem boa, enfim… deixar admiração pelo local, deixar um pouco mais de luz para fazer brilhar um local que parece estar precisando desta transformação, está “transmutação” que foi a palavra exata utilizada por eles.

Então meus amigos, a ideia é que reflitamos sobre esse local e que o Caminho seja cada vez mais positivo, mesmo possuindo pontos escuros, que na minha opinião são necessários para que exista um contraponto sempre, ele ainda continua transformando pessoas e não custa nada semear coisas boas por onde passamos. Valeu pessoal, bom Caminho para todos e aos que irão para o Caminho, pensem nisso e pratiquem.

Vou deixar aqui um texto que reflete bastante esse pensamento sobre a Cruz de Ferro que encontrei no blog Expertos En El Camino ( expertosenelcamino.com ):


Imagine uma tempestade nas montanhas. Vento, frio, neve e nevoeiro. A estrada perdida entre os elementos e um caminhante tentando segui-lo. Com as placas perdias do manto branco, parece impossível, certo? No entanto, se colocado ao lado do caminho um monte de pedras gigantes formadas por milhares de pedras e um tronco alto preso no meio, a orientação é possível. E que, aparentemente, é a tarefa inicial da Cruz de Ferro. Um grande marco para orientar os celtas, desde o início dos tempos. Vamos cavar em uma história tão fascinante para ver como ela tornou-se um símbolo do Caminho para o século XXI.

Milladoiro, monte de pedras, mercurial, marco … nós chamamos como queremos, mas não é nada além de uma pilha de pedras que marca o percurso. Ainda hoje, no século XXI, são muito populares na estrada e nas montanhas. Sua origem parece perdida nas brumas do tempo. Na Europa foram os celtas que os espalharam. Não só à eles serviu como um guia, mas também para invocar a proteção às divindades protetoras das estradas. Assim, parece que foi criada popular Cruz de Ferro.

Com a chegada dos romanos, que estavam nas proximidades de Astorga uma das suas principais capitais, um monte de pedras gigantes poderia ser convertido em um marcador de fronteira. Com ele e marcaria a fronteira entre dois territórios distintos dentro de um império. Parece também que na Cruz de Ferro criou-se um altar dedicado a Mercúrio, o deus protetor romano de viajantes. O costume herdado dos Celtas, de deixar uma pedra como uma oferenda a Mercúrio, perdurou por séculos.

Com a Europa cristianizada e a expansão do Caminho de Santiago, se atribui a colocação da primeira cruz a Gaulcemo, eremita com vocação hospitaleira, instalado neste lugar inóspito, no final do século XI. Pronto para fornecer todos os tipos de assistência aos peregrinos, levantou um hospital para recebê-los e a cruz no santuário para orientá-los no inverno, durante fortes nevascas que fez desaparecer o caminho, um elemento religioso com um propósito humanitário que acabou dando nome a este lugar mítico.

Os séculos seguiram e do monte de pedras estava se tornando cada vez maior, até que se tornou como o conhecemos hoje. Infelizmente, nos últimos anos, tem popularizado o hábito decadente e de mau gosto de deixar oferendas junto a cruz, pacotes de cigarro, fotografias, grinaldas, botas, plástico e todos os tipos de objetos desfiguram a Cruz de Ferro, que está perdendo rapidamente sua sobriedade e charme original. Esperemos que a moda passe rápido para que possamos voltar a ter uma Cruz Ferro autêntica, longe do poço de estrume em que está se transformando cada vez mais nos últimos anos.

Para que melhor lugar para apreciar o caminho mais autêntico que esta paisagem inóspita da bela Montes de León?

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